INDAGAÇÕES E OUTROS RITUAIS

 

Quinta-feira, Julho 16, 2009
 
3 QUILOS E TAL

Não resolvi se chamava a moça de burra ou se ficava com pena.

Na dúvida, ri. Muito.


Quarta-feira, Julho 15, 2009
 
100 ANOS DO MUNICIPAL
Então o Teatro faz 100 anos e a festa é na rua, porque as obras não estão concluídas? Brasil-sil-sil!

Simpatizo com a Carla Camurati, acho-a séria, mas isso é injustificável. Ontem por coincidência foi "14 juillet", e fizeram festa pelos 120 anos da Torre Eiffel. Estava tudo lindo e arrumado. Há um mês os franceses estavam preparando tudo SEM SEQUER interromper a visitação na torre.

Só está faltando agora um demagogo dizer que foi melhor assim, "festa na rua é festa do povo."
Terça-feira, Julho 14, 2009
 
DÚVIDAS
Estou vendo pelas estatísticas que tem gente efetivamente entrando por buscas a respeito de detalhes de viagens. Gente, quem tiver qualquer dúvida pode perguntar nos comentários, se quiser deixe o email, os comentários são moderados, só eu vou ver.
Segunda-feira, Julho 13, 2009
 
LONDRES EM 04 DIAS E MEIO – TERCEIRO DIA

Para ler desde o começo da viagem, vá aqui

Esse era o dia de assistir à troca da guarda no Palácio de Buckingham, o que gera um pequeno problema. Ela começa por volta de 11 horas, e termina lá pelo meio-dia, de modo que se você não encaixar nada antes compromete a manhã inteira.

Por esse motivo iniciamos o dia abrindo a Westminster Abbey, que é relativamente perto. A abadia abre às 9 e meia da manhã, e é paga (15 libras, caríssimo). No valor do ingresso está incluído o audioguide em português (a febre dos audioguides na Europa é tão grande que até na nossa língua moribunda eles têm).

O lugar é impressionante, mas é no estilo english church, ou seja, quase nenhum santo e muitos heróis nacionais (a maioria reis...). Só que há um cantinho todos especial chamado “Poet´s Corner”, onde estão enterrados, entre outros, Dickens e Kipling (diz que você não está pensando na marca de bolsa, por favor...). Há também dezenas de memoriais para outros escritores, como Jane Austen, T. S. Elliot, Blake, Henry James, Shelley, e vários outros. Pra quem gosta de literatura... Pena que não pode tirar foto (em Paris eu tirei um monte com meus mortos preferidos, hehehe).

Tem também os túmulos de Sir Isaac Newton e Charles Darwin.

Bom, se você entrar numa de olhar tudo com atenção e ouvir o audioguide, ferrou, não sai mais de lá. Todo lugar tem um mapinha de visitação com os destaques, tem é que olhar isso.

Foto com uma das fachadas do lugar:



Visitação concluída em pouco mais de uma hora, partimos para Buckingham. Olha, dá pra ir a pé tranqüilo, mas como estávamos meio atrasados, pegamos o metrô para andar 2 estações (Westminster até Victoria, pela linha District/Circle).

Sobre a troca da guarda: dizem que começa 11:30, mas a nova guarnição surge lá pelas 11 e pouco. Além disso, fica muito lotado, por isso sugiro chegar por volta de 10:30. Os melhores pontos para assistir são o alto do monumento à Rainha Vitória e o portão central, mas qualquer lugar ao longo das grades, desde que encostado nelas, é bom. A cerimônia em si é meio maçante, tem que ir porque é tradicional, ponto.



Bom, depois dos guardinhas darem 289 voltas dentro do pátio do palácio, e depois de eu receber 938 chutes de umas crianças espanholas que não entenderam que o espaço na grade era meu e que não cabia mais ninguém ali, voltamos para o metrô. Ah, no caminho para a estação (costeando o palácio pela esquerda de quem o olha) tem a lojinha de Buckingham, que é quase um museu, porque os produtos são em sua maioria réplicas de objetos do palácio, como talheres, toalhas, almofadas. Tem inclusive dezenas de manuais de etiquetas da realeza!

Saltamos do metrô de novo em Westminster, porque a nossa intenção era visitar o Parlamento. Na entrada de visitantes a mocinha nos explicou que a visitação só começaria 2 da tarde, mas que ia bombar de parlamentares lá dentro a partir das 6, e que iria até as 10:30 p.m.!!!

Prestenção, tia: segunda-feira, e os parlamentares trabalhariam até quase 11 da noite? Ai, Inglaterra....

Fica a dica então: deixe o Parlamento como coringa do seu dia, mas não esqueça de perguntar para os funcionários qual vai ser o melhor horário de visita.

Pegamos o metrô de novo, e fomos para a Tate Modern. A melhor opção é saltar na estação Mansion House, andar um pouquinho, e cruzar o Thames pela belíssima Millenium Bridge. Foto da Tate, tirada da ponte:



Olha como a ponte é legal. Foto tirada da Tate, ao fundo dá pra ver a St. Paul´s Cathedral:



Chegando à Tate, resolvemos almoçar direito. No térreo tem um ótimo restaurante com vários “pratos do dia”, todos entre 10 e 15 libras. Ah, e o refrigerante deles é a “curiosity cola”, uma espécie de coca fermentada, tem até um ligeiro teor alcoólico (e gosto daquelas balas de coca-cola,vocês lembram?) Ah, tem outros 2 restaurantes nos andares superiores, um exclusivo para os membros da Tate, com um terraço voltado pro rio. Eram bem mais caros.

Gostei muito de lá. A área externa é uma delícia, na beira do rio, cheia de gramados onde as pessoas se deitavam, aproveitando o sol. Várias mães batendo papo enquanto seus bebês dormiam à sombra. Já o prédio é um caixotão, mas lá dentro é tudo amplo, arejado, claro.

Deixa eu destacar a loja/livraria: fantástica! Pra quem gosta de desenhar ou pintar é sensacional, tem MUITO material com a grife Tate Modern. E a seção infantil? Tem de tudo para as crianças pintarem, mini aventais, lápis e giz em tamanho pequeno, histórias em quadrinhos sobre os grandes artistas... Adorei uma camiseta tamanho ppp escrita “FUTURE ARTIST!” hahahahaha

Como toda galeria de arte moderna, a Tate tem exposições temporárias e permanentes. Não entramos nas temporárias porque eram caras, e estávamos aproveitando o “free entrance” típico dos museus britânicos. Já a coleção permanente é interessante, o foco logicamente são os movimentos modernistas, mas não tem muita coisa famosa. Bom, tem “mulher chorando” do Picasso, o que pra mim bastava.

Saímos da Tate e fomos andando pela beira do rio até a London Eye. Esse pedaço da margem é chamado de South Bank, e foi todo revitalizado há alguns anos. É cheio de prédios baixos (pelos carros nas garagens, deve ser pouco caro morar por ali...), galerias de artes e restaurantes. Em 2011 vai ficar ainda melhor, porque a estação de metrô de Blackfriars está sendo reformada, e vai funcionar em cima de uma ponte, com entradas pelas duas margens do Tamisa!

Essa caminhada foi super agradável, e chegamos relativamente rápido à London Eye. Para quem não associou o nome à pessoa, trata-se da roda gigante que hoje domina a paisagem londrina.

Lembram-se do esquema do Madame Tussaud´s? Quando pegamos nossos ingressos no museu de cera, já nos deram os vouchers da London Eye (com validade de 30 dias). Só que não podíamos entrar direto, foi preciso ir ao centro de venda de ingressos e trocar os vouchers pelos tíquetes propriamente ditos. Feito isso, fomos para a roda gigante, que tem uma rotatividade tão rápida que você não fica 10 minutos na fila, mesmo estando cheio.

Olha, é imperdível. As “células” são imensas (cabem umas 10 pessoas) e confortáveis. O movimento é contínuo mas mal se percebe, então dá tempo de fotografar tudo e mais um pouco. Dá pra ver MUITO longe, identificando vários pontos turísticos da cidade. Minha foto preferida foi essa, que pegou todo o Parlamento:



Ao fim do passeio,voltamos a pé em direção a Westminster (na verdade, é praticamente só atravessar a ponte). Chegamos no Parlamento mais ou menos às 5 da tarde, e de fato já havia bastante movimento.

O interior do Parliament é muito bacana, o teto abobadado é altíssimo, você se sente viajando no tempo. Há quadros e estátuas representando grandes políticos e magistrados, tudo super bacana. A primeira visita é à Câmara dos Comuns, o equivalente à nossa Câmara dos Deputados. Prepare-se para longas esperas, porque os funcionários ficam formando pequenas filas em vários lugares lá dentro. Você levanta, é levado para outra sala, e senta de novo, isso umas 3 vezes. Mas é bom para apreciar com calma o interior do lugar.

Finalmente entramos na House of Commons. Os visitantes têm acesso à sala de debates mesmo! Fica-se num mezanino com uma parede de vidro, e é expressamente proibido se manifestar (não pode gritar, aplaudir, nada disso). MUITO foda ver os caras debatendo no melhor estilo inglês: um deputado faz o discurso, outro deputado levanta, rebate, senta, o que estava falando levanta de novo, faz a tréplica. Maneiríssimo. Fora a sala em si, que é linda (mas é relativamente recente, a original foi destruída em bombardeios da IIWW, e funcionava numa das salas onde a gente ficou sentado esperando).

Pode-se ficar quanto tempo quiser lá dentro. Depois de uns 15 minutos saímos para visitar a Câmara dos Lordes. O procedimento é o mesmo, tem que ficar sentado em outras pequenas filas até conseguir entrar.

Se a House of Commons era sensacional, impossível descrever a House of Lords. Histórico! E melhor, não tem vidro, você fica também num mezanino, mas muito perto dos velhinhos.

Aliás, preciso falar. Normal a gente ter reservas em relação a um lugar chamado “dos lordes”, com pessoas que possuem mandato hereditário e vitalício. Mas preste atenção: eles não ganham um centavo pra estar lá! Nada, zero. Não tem verba de motorista, de moradia, “auxílio-paletó”, nada. O dinheiro público é usado apenas para manter minimamente a casa.

Aí alguém me explica por que numa segunda-feira à noite a Câmara dos Lordes estava mais cheia do que a dos Comuns? Comprometimento, cara...

Os debates lá são ainda mais britânicos, hehehe, todo mundo educadíssimo, nada de chamar de Vossa Excelência e xingar em seguida.

Saímos de lá 8 p.m., solzão no céu (só escurecia 10 e tal da noite!), e partimos pro pub, as usual!
Quinta-feira, Julho 09, 2009
 
LONDRES EM 04 DIAS E MEIO – SEGUNDO DIA
Esse foi o primeiro dia inteiro em Londres. Começamos cedíssimo, porque tínhamos hora meio que marcada no Madame Tussaud´s. É, deixa eu explicar.

Você pode comprar seu ingresso para o Mme. Tussaud´s pela internet, COM DESCONTO. Sim, sai consideravelmente mais barato (10%). E você ainda entra por um lugar diferente do povão (na prática, nem fez tanta diferença). A única coisa que talvez seja uma desvantagem é que você tem que escolher um horário de visitação. Eu até hoje não entendi direito, mas parece que se você se atrasar muito a única coisa que acontece é perder o direito à fila especial, mas sei lá. Sugiro chegar na hora, trata-se de Londres...

E já que você vai ao Tussaud´s, aproveite pra comprar um pacote com outras atrações! Você economiza mais um pouco assim. Clique aqui para ver as opções de pacotes. Nós pegamos um com a London Eye incluída, só sei que o pacote mais a compra online nos fizeram economizar quase 40 libras.

Tentamos ir de ônibus, mas num determinado momento pensamos ter perdido o ponto e descemos. Estávamos no meio do Regent´s Park, e eu sabia que o museu ficava numa das saídas dele. Pois bem, entramos, procuramos um mapa do parque, nos “localizamos” e começamos a andar. Depois de subir e descer uma colina altíssima, chegamos a uma das bordas do parque e, quando consultamos novamente o mapa, percebemos ter andado para o lado errado!

Detalhe que, como eu falei, em tese tínhamos hora para chegar no Mme. Tussaud´s! Andamos tudo de volta, deu um trabalhão, mas como eu ainda diria inúmeras vezes na viagem, NA EUROPA VOCÊ NÃO SE PERDE, APENAS FAZ UM CAMINHO ALTERNATIVO. Porém, se você não quiser errar, acho que a estação de metrô mais próxima é Baker Street.

Acabamos chegando pouco atrasados, e a moça do balcão onde retirei os ingressos não falou nada. Quer dizer, falou sim. Quando viu o recibo, exclamou: “Rio de Janeiro? How jealous am I!” Ao que eu respondi: “Wanna change? Right Now?” Brincadeira esse povo que não tem noção de onde mora.

Especificamente sobre o museu de cera: olha, tem que ir porque é atração turística, ponto. Não é tããão maneiro como dizem, e fica muito lotado, mas acabou sendo mais interessante do que eu imaginava. Por sorte meus ídolos são diferentes dos da maioria das pessoas, então até que consegui boas fotos (Lord Nelson, Dickens, Shakespeare, Jesse Owens, dentre outros).

Mas a minha preferida é essa aqui:



Mais significativa, impossível!

De lá fomos ao museu do Sherlock Holmes, que é pertinho. Muito bacana ver a placa de “Baker Street, 221b”, embora seja falsa. A lojinha é fantástica, tem MUITA coisa legal com o nome do detetive mais famoso do mundo. Já o museu é fraquíssimo, o que era de se esperar, tendo em vista que Sherlock é um personagem fictício. Sugestão? Use o valor do ingresso na loja, vale mais a pena.

Nossa visita seguinte era Camden Town, e em vez de ônibus eu já havia programado um caminho a pé cruzando o.... REGENT´S PARK! Hahahahaha. Lá fomos nós de novo, acabou que esse parque virou o nosso preferido (ganhou do Hyde Park, olha só...), é imenso e muito muito lindo. Na primavera então... todo florido, bem cuidado, os cachorros correndo soltos sem incomodar ninguém... Quem fizer a programação parecida com a nossa, faça isso também, ande da região da Baker Street até Camden passando por dentro do Regent´s.

E aí, Camden Town. Ah, Camden, eu tinha certeza absoluta de que ia amar, e acertei na mosca. Um gigantesco mercado alternativo, com centenas de lojas de música, de roupas, antiguidades, uniformes da Segunda Guerra, tem de um tudo. Some-se a isso uma mistura fantástica de pessoas pelas ruas, com destaque para punks legítimos candidamente distribuindo filipetas nas calçadas.

Se for de metrô, dá pra saltar nas estações Camden Town ou Mornington Crescent. Assim que chegamos no começo da muvuca compramos nossos deliciosos paninis e começamos a andar comendo. Um dos primeiros lugares que você deve visitar é o Camden Market, uma feira de barracas a céu aberto vendendo principalmente roupas. Há várias camisetas legais, roupas femininas customizadas... E tudo relativamente barato.

Depois ande pela rua principal até Camden Lock, um sensacional complexo de lojas. Para se ter uma idéia, parte do complexo funciona num antigo estábulo! Se não tiver comido ainda, sugiro fazê-lo na parte aberta que tem logo depois do canal. Lá há barracas de comidas típicas de várias partes do mundo. O clima é maravilhoso, as pessoas sentam à beira do canal (veja foto abaixo) para comer em pratinhos de plástico, descansar...



Olha, dá pra ficar um dia inteiro em Camden, sem exagero. Se der mole você se perde lá dentro, de tão labiríntico. Ah, não sei como é o funcionamento nos outros dias, mas bomba mesmo aos domingos, tanto que a estação Camden Town é fechada para entrada de passageiros no domingo à tarde, pra que eles dêem conta do fluxo de pessoas chegando.

Para fechar essa parte, mais um momento “eu queria morar em Londres”. Em Camden há banheiro público subterrâneo, LIMPO e GRATUITO.

De lá tínhamos a missão mais árdua do dia: ir a Greenwich. Desde o começo do planejamento eu já sabia que seria complicado cruzar a cidade, mas Isabela pediu, eu operacionalizo =)

O plano era: pegar uma linha do metrô na estação Camden Town, saltar na estação London Bridge e lá entrar num trem pra Greenwich. Fácil, mas vejamos. Estação Camden Town fechada para embarque aos domingos, como eu falei. Fomos pra Mornington Crescent, só que aí não tinha linha direta pra London Bridge. Saltamos em outra estação onde pegaríamos determinada linha que aí sim nos deixaria lá. A tal linha estava em manutenção no dia. Acabamos improvisando pela terceira vez naquela tarde e finalmente conseguimos acertar.

Por que eu contei essa historinha? Porque isso determinou nossa viagem dali pra frente. Os metrôs de Londres e Paris são muito, mas muito fáceis de usar. Você não precisa se programar loucamente, depois que pega o jeito fazer conexões é facílimo, e acaba-se avançando pela cidade em velocidade espantosa. Dali pra frente a gente simplesmente decidia de manhã o caminho, e se jogava no metrô. Acontecia inclusive de não dar tempo de identificar qual o sentido da linha e entrar assim mesmo no vagão. Antes da estação seguinte já dava pra identificar o erro com calma e consertar sem nenhum problema.

Voltando a Greenwich, pode-se chegar lá de duas maneiras principais. A primeira é de barco, com saídas de Westminster. Há 3 empresas principais que fazem o percurso, nós usamos a Thames River Services, eu explico o motivo. As outras duas têm preço um pouco mais barato, então os barcos saem lotados. A TRS é um pouco mais cara, PORÉM dá desconto pra quem tem London Travelcard, e aí o preço fica igual. Com a diferença que os barcos são bem mais vazios. Dá pra pegar ida e volta ou apenas uma perna do trajeto, à sua escolha.

Se eu fosse começar o dia por Greenwich, escolheria sem dúvida o caminho pelo rio, que é mais rápido, mais agradável, e te deixa quase dentro do Parque.

Entretanto, se você estiver longe de Westminster como nós estávamos, o caminho é: dar um jeito de chegar de metrô até a estação London Bridge. Uma vez lá, procurar a área da estação onde funcionam os trem da Docklands Light Railway (DLR). Dirija-se a um balcão de informações e pergunte qual o próximo trem pra Greenwich. O funcionário te dirá a plataforma, o trem e o horário. Pronto, assim não tem erro. Observações importantes: seu oyster/travelcard vale pra essa viagem, mas certifique-se de validá-lo não só na catraca antes das plataformas como num leitor que tem na própria plataforma, ao lado do trem que você for pegar.

Até Greenwich dá menos de 15 minutos de trem. Da estação até o parque são mais uns 10 minutos andando.

Agora o lugar em si: trata-se de um imenso parque, com 3 grandes locais de visitação, o National Maritime Museum, o Royal Observatory e a Queen´s House. Tudo gratuito, tirando o Planetário (dentro do observatório) e eventuais exibições.

Com a nossa programação apertada, mais os improvisos no metrô, chegamos lá 3 e meia da tarde. E infelizmente tudo fechava às 5... Então, antes de mais nada, tem que reservar ao menos um turno inteiro para fazer as coisas CORRENDO lá dentro. Com calma então, dia inteiro...

Era um domingo de sol, então estava super cheio, muita gente fazendo piquenique nos gramados, tendas imitando o período dos cavaleiros, com atores vestidos em roupas de época, crianças “lutando” com espadas de madeira... ai Londres...

Percebendo que estávamos correndo contra o tempo, voamos para o National Maritime Museum. Eu estava doido para conferir um objeto lá dentro: a casaca usada por Lord Nelson em Trafalgar, com a marca da bala que o vitimou!!! Se você não sabe do que estou falando é porque não estudou história ou, PIOR, não leu “Sharpe em Trafalgar”, e merece desprezo eterno.

O museu parece espetacular, mas só vimos mesmo o que estava pelo caminho até a casaca do Nelson. Infelizmente não dava tempo pra mais nada. Muito triste.

Saímos para o Royal Observatory, que fica no alto de um morro! Para se ter uma idéia, segue a foto tirada de lá. O museu marítimo é, salvo engano, o prédio lááá embaixo, à esquerda.



Nosso dia nem tinha começado 7 da manhã, nem tínhamos cruzado o Regent´s Park 2 vezes, nem tínhamos andado umas 3 horas por Camden Town, então claro que estávamos cheios de gás pra subir o morro, né? Lá fomos nós, correndo contra o tempo inclusive, mas chegamos. Logo de cara, o relógio que marca a famosa hora "zero" GMT. Um pouco adiante, a linha do Meridiano de Greenwich, marcada no chão! Claaaaro que TODO mundo lá queria tirar a foto clichê com um pé de cada lado, então, estamos aí, né?



Detalhe que a porra da linha corta a Terra inteira mas no observatório não tem 10 metros, o que faz com que as pessoas se amontoem pra conseguir uma foto.

Queen´s House? Bom, até descermos de volta, já estaria fechada. Fico devendo. A verdade é que não deu tempo para aproveitar o lugar com calma, o que foi uma pena, primeiro porque é uma delícia andar pelo parque, segundo que tem muita coisa para ver. Próxima vez que formos a Londres (o que espero que aconteça em breve) vamos voltar com certeza.

Na hora de voltar pegamos o barco da Thames River Service em direção a Westminster. O caminho pelo Tâmisa é lindo, e passa por todos os pontos turísticos a beira-rio. Além de tudo é rápido (menos de 1 hora) e confortável. Passar embaixo da Tower Bridge, não tem preço:



Em Westminster eu tive o primeiro choque real da viagem. Quando parei em frente ao Big Ben fiquei muito emocionado (podem zoar, nem ligo). É muito lindo, imponente, as partes douradas brilham de uma maneira que FOTO NENHUMA consegue captar. No dia seguinte voltaríamos, mas acabamos tirando dezenas de fotos mesmo assim.

Pegamos um bus pra perto do hotel, jantamos no pub que tinha lá perto. Ah, deixa eu contar do “The Swan”: o pub é é de 1600 e uns quebrados (índios ainda dormiam na rede no Brasil e os ingleses já bebiam em pubs, ah o nosso país). Conta-se que levavam os prisioneiros para beber a última cerveja ali antes de serem enforcados em Marble Arch, que fica perto. Enquanto isso, a história do bar perto da minha casa é que o Martinho da Vila tomava (toma?) uns gorós lá. Igualzinho.

Depois de pedir a comida e pegar as cervejas, fui ao banheiro. No caminho, vi um cara ajeitando o violão para começar a tocar dentro do pub. Imediatamente me vieram recordações horríveis de música de bar, será que ele tocaria o equivalente inglês a Jorge Vercilo, Djavan e Ana Carolina?

Ah, leitor... Entenda porque eu sou brasileiro não-praticante e inglês por adoção unilateral (tipo, os ingleses não sabem, e se soubessem não aceitariam, mas tô nem aí): o cara tocou Beatles, Smiths, R.E.M. (concessão de bom gosto à música americana) e por aí vai. Pouco bom.

Embalados pela bittersweet Guinness, dormimos o sono dos justos.
Quarta-feira, Julho 08, 2009
 
PONTOS DE PARTIDA E CHEGADA
Quando saí do hotel de Paris pra ir a Montmartre a primeira coisa que me passou pela cabeça foi "Amélie Poulain!"

Inevitável olhar pra Basilique du Sacré-Coeur e lembrar imediatamente do filme. Para minha agradável surpresa, alguém ainda por cima pintou setas azuis na escadaria, como se vê:



Vai daí que eu fiquei filosofando sobre a cena, e como ela parece remeter às nossas vidas. Mandam-nos seguir uma série de setas azuis,e quando termina a trilha somos obigados a olhar por um binóculo e descobrir que o ponto de chegada era na verdade o ponto de partida.
Segunda-feira, Julho 06, 2009
 
LONDRES EM 04 DIAS E MEIO – PRIMEIRO DIA
Esse é o meio dia, porque só chegamos no hotel no final da manhã.

Bom, como era sábado, ir à feira de Nothing Hill tornou-se obrigatório. Acho que só funciona mesmo aos sábados, então você terá que encaixar na sua programação. É fácil de chegar, basta pegar o metrô e saltar na estação de Nothing Hill. Lá, vá seguindo as placas da feira, que acontece em toda a extensão da Portobello Road.



Em que consiste? No final da rua funciona uma feira como nós conhecemos, frutas, legumes e verduras, mas antes disso há uma interminável fileira de barracas que vendem de tudo, principalmente quinquilharias de turistas e antiguidades. Quando fomos estava muito, mas muito lotada. E é uma rua estreita, com lojas dos dois lados e barracas nas duas calçadas. Inferno na terra. Mas vale, claro, embora seja algo um pouco mais para o londrino do que para o turista. Lá almoçamos nossos primeiros (de muitos!) paninis na viagem, andando pelas ruas abarrotadas, mais vendo o movimento do que nos interessando pelas compras.

De Nothing Hill pegamos um ônibus para Piccadilly Circus. Bem, ele deveria ir até Piccadilly, mas parece que o prefeito de Londres tomou umas lições com o César Maia, porque a cidade estava cheia de obras. Resultado? Fomos gentilmente convidados a descer em Oxford Circus. Por um lado foi bom, porque o caminho que liga as duas praças é a Regent Street, uma rua cheia de loja bacana e meio que centro comercial de Londres. O problema é que a cidade estava hiper lotada de turistas, sem contar que era sábado, de modo que a área estava intransitável.

Quando finalmente chegamos a Piccadilly, era difícil até tirar aquelas fotos tradicionais com os letreiros luminosos e a estátua de Eros, mas eu tentei:



Bom, além de conhecer o local, que é por si só um ponto turístico, tínhamos um dos melhores programas da viagem naquela noite... LES MISERABLES!

Deixa eu aproveitar e dar a dica: os musicais de Londres são muito concorridos, então você precisa comprar os ingressos com no mínimo uns 3 meses de antecedência. Se não conseguir, existe um esquema (sem sentido pejorativo, é algo oficial e legal) de venda de ingressos não retirados, através do qual as pessoas conseguem tíquetes na manhã do espetáculo ou até na hora dele mesmo. Nós compramos 3 meses antes, e foi meio difícil conseguir bons lugares, mas deu. Compra com cartão de crédito pela Ticketmaster, tudo certinho. Não lembro o valor exato, mas deu umas 70 libras (2 ingressos para o andar superior).

Antes, passeamos um pouco por Chinatown, que fica por ali e depois jantamos num pub por perto (não lembro o nome, sorry), nossa estréia no mundo do “fish and chips”.

E aí, hora do espetáculo:



Impossível descrever. Após ler o livro todo e escutar a trilha sonora do musical centenas de vezes, era chegada a hora de conferir ao vivo. Primeiro de tudo: o teatro (Queen´s Theatre) é lindo. E, tirando os lugares muito laterais, não tem assento ruim. Ah, e uma das coisas que nos mostram o quanto somos atrasados: entre as poltronas ficam pequenos binóculos presos numa maquininha que os libera por 50 centavos. Nela fica um bilhete pedindo gentilmente que o binóculo seja devolvido à máquina após o uso. Muita civilidade.

O musical é de outro mundo. Uma música melhor do que a outra, os efeitos especiais são inteligentíssimos sem serem rebuscados, enfim, fato que eu vou assistir de novo.

Se me permitem uma digressão a essa altura da narrativa: há uma música em que os atores estão montando a barricada e falam da batalha iminente, cantando os seguintes versos: “When the beating of your heart/echoes the beating of the drums/There is a life about to start/When tomorrow comes!” Aquela era a nossa primeira noite em Londres, e como estávamos virados desde o Rio de Janeiro, dava pra considerar que a viagem começava pra valer no dia seguinte, né? Por isso, mesmo que pareça cafona (e talvez seja), senti que em alguns aspectos uma vida nova começaria no dia seguinte, assim que eu acordasse, abrisse as janelas que davam para o Hyde Park e percebesse não estar sonhando. É, esse parágrafo ficou brega, mas dê um desconto, é muita emoção.

Ao fim de 3 horas de espetáculo, tentamos pegar o ônibus de volta pro hotel, mas ele não passava nunca. Desconfio que fosse pelo mesmo desvio causado pelas obras. Foi nosso primeiro improviso em termos de transporte. Corremos pro metrô, montamos o percurso na hora e deu TUDO certo. Viva o primeiro mundo!

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